QUEM DISSE QUE 2020 É PARA ESQUECER?

30 Dezembro 2020

QUEM DISSE QUE 2020 É PARA ESQUECER?

A pandemia Covid-19 foi, definitivamente, o acontecimento mais marcante de 2020. O ano que nos matou, assustou, fechou em casa, empobreceu, e desumanizou. De um dia para o outro, 2020 trouxe doença, angústia, medo, pobreza, despedimentos, privação de contactos e falências. Sem estarmos preparados, perdemos muito do que dávamos por assumido e sem dar o devido valor: a liberdade, as fronteiras abertas, o mundo à distância de um voo e a confortável sensação de segurança. O nosso modo despreocupado de ser e viver deu lugar a obsessivas rotinas de higiene e segurança e passámos a olhar os outros com desconfiança. A verdade foi dura: percebemos que somos só mais uma espécie que partilha este mundo com bactérias e vírus. Umas vezes ganhamos, outras perdemos…

E por mais que possamos desejar o contrário, este ano vai ficar gravado na memória de todos! Mas não só pelos piores motivos…

 

2020

São muitas as lições do ano que não pode ser esquecido.

Nada é garantido

De uma forma ou de outra, todos vimos as nossas certezas abaladas, fomos obrigados a reinventar os nossos estilos de vida, a questionarmos a organização dos locais onde vivemos e onde trabalhamos e fomos confrontados com o medo da solidão e da ausência do contacto afetivo.

A importância da liberdade e dos afetos

O confinamento obrigatório trouxe a experiência da perda de liberdade à maioria da população. Os ecrãs confirmaram o estatuto de janela para o mundo e as janelas e varandas tornaram-se no meio de contacto com o exterior. 2020 foi o ano da escola em casa, do escritório em casa, do exercício em casa. O ano do afeto remoto com os beijos e abraços reservados aos de casa e o fim dos apertos de mão. As ruas ficaram desertas.

A fragilidade da economia e da sociedade

Os sucessivos confinamentos provocaram um rombo na economia, particularmente no comércio tradicional. Cafés, bares, discotecas e espaços culturais foram dos mais impactados, obrigados a fechar semanas a fio, ou definitivamente. Está em causa a sobrevivência de milhões de famílias. Por todo o mundo, o desemprego disparou e sem exagero, podemos dizer que a pandemia de Covid-19 virou do avesso o setor do turismo.

O grande teste à governação mundial

Com uma ameaça comum, cada governante escolheu caminhos próprios no combate à pandemia, e assistimos ao mais importante teste alguma vez realizado à qualidade de governação de cada país. Tivemos bons e maus exemplos. Uma das atuações mais elogiadas foi a da Nova Zelândia, baseada na empatia, que resultou em apenas 2116 casos e 25 mortes. Já Donald Trump e Jair Bolsolnaro, viraram as costas aos cientistas e desvalorizaram a ameaça. O resultado foi catastrófico: só nos EUA a COVID-19 matou mais de 300 mil americanos e no Brasil, os casos positivos ultrapassam os 7,5 Milhões. Embora Portugal não possa ser visto de todo como o “milagre português”, a verdade é que o debate político em Portugal não resvalou nunca para um clima crispado e intolerante, a população não saiu à rua em protestos e, segundo as sondagens, os portugueses são, na Europa, dos mais predispostos a serem vacinados.

O mundo parado

A pandemia fez-nos procurar formas de esquecer os problemas, mas até o desporto ou as atividades culturais, um refúgio para muitos, pararam quando a Covid-19 atingiu o globo em força. Dos pequenos aos grandes eventos internacionais, do desporto, à música, ao cinema e à religião, a lista de cancelamentos é extensa: Carnaval do Brasil, Festival de Cannes, Peregrinação anual a Meca, Festival Eurovisão da Canção, Campeonato da Europa de Futebol, Jogos Olímpicos, Festivais internacionais de música (Primavera Sound, Rock in Rio, Tomorrowland, entre muitos outros). As celebrações da Semana Santa no Vaticano ou do 13 de Maio em Fátima, foram realizadas, mas sem a presença dos fiéis. Dos estádios vazios, às salas de espectáculo e igrejas fechadas e às escolas sem alunos, esta nova realidade tornou-se normal.

Mas 2020 também foi o ano da esperança. Esperança de que vai ficar tudo bem! Várias inovações, vitórias e sucessos mereceram aplausos e prémios e trouxeram alegria e alento de que tanto precisávamos.

A mais rápida vacina da história

Há um ano, ninguém tinha ouvido falar deste vírus, mas atualmente estão publicados mais de 75 mil artigos científicos sobre a Covid-19 e as vacinas já começaram a ser administradas. Nunca na história da humanidade uma doença foi estudada tão depressa, por tantas pessoas e em todo o mundo. Apesar das divisões, dos testes à governabilidade, dos avanços e recuos nas estratégias de combate ao vírus, houve um sector que se manteve firme e os cientistas conseguiram dar uma resposta em tempo absolutamente recorde: a 8 de dezembro de 2020, a britânica Margaret Keenan, de 90 anos, torna-se a primeira pessoa no mundo a ser vacinada contra a covid-19. Apenas um ano depois de a China ter confirmado o primeiro caso de infecção.

Juntos contra o racismo

As questões sociais foram outro dos temas do ano, com particular destaque para o racismo. A sociedade americana testemunhou, no Verão de 2020, um movimento geracional contra a discriminação e o racismo que ultrapassou fronteiras. Mesmo em pandemia, os protestos “Black Lives Matter” mobilizaram milhares a saírem à rua.

Mais igualdade

A representação feminina na política em 2020 aumentou. Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) refere que a representação das mulheres nos parlamentos mais do que dobrou em 2020, chegando a 25% de todas as cadeiras. E foi o ano em que Kamala Harris fez história como a primeira mulher, a primeira mulher negra, a primeira pessoa descendente do sul da Ásia e a primeira filha de imigrantes a ser eleita vice-presidente dos Estados Unidos.

Mais solidariedade

Idosos, pessoas com problemas psicológicos ou sem abrigo foram ajudados por voluntários com várias iniciativas que se espalham um pouco por todo o mundo. Distribuição de alimentos, doação de produtos de higiene pessoal e consultas gratuitas são algumas das ações solidárias da iniciativa de cidadãos ou instituições que se uniram para enfrentar e superar uma das maiores crises de saúde pública da história mundial.

Mais ar puro

Com os países em confinamento, as ruas outrora cheias de automóveis ficaram vazias, a atividade industrial, bem como a redução das deslocações, devolveram às principais cidades do mundo o céu azul e reduziram os níveis de poluição. O alívio foi momentâneo e a sua causa uma má notícia. Mas o ar mais limpo e a redução das emissões de gases que contribuem para as mudanças climáticas foi real em todo o mundo o que significa que é possível!

Por cá, também tivemos motivos para sorrir!

Apesar de a pandemia ter afetado o mundo do desporto e cancelado os mais importantes acontecimentos desportivos a nível mundial, acabou por trazer três grandes eventos desportivos para Portugal: a Liga dos Campeões, a Fórmula 1 e o MotoGP.

No plano individual, e no seu ano de estreia, Miguel Oliveira somou duas vitórias no ano do Campeonato do Mundo de Moto GP. Em agosto, tornou-se o primeiro português a vencer um grande prémio de motociclismo e em novembro, em Portimão, encerrou a época com uma pole position seguida de uma vitória incontestável, liderando a corrida da primeira à última volta.

Filipe Albuquerque, piloto de automóveis, teve três vitórias para celebrar. Foi campeão do European Le Mans Series, o primeiro português a vencer as 48 horas de Le Mans e sagrou-se campeão do mundo de resistência (FIA World Endurance Championchip).

A atriz e realizadora Ana Rocha de Sousa, viu a sua primeira longa metragem “Listen” receber seis prémios no Festival de Veneza e ser o filme mais visto no cinema em Portugal em 2020.

Cristiano Ronaldo conquistou o prémio de Melhor Jogador do Século nos Globe Soccer Awards e Bruno Fernandes, internacional português, depois de ter chegado a Old Trafford em janeiro, conquistou a distinção de melhor jogador do Manchester United no mês por cinco vezes.

João Nascimento, português a estudar em Harvard, e a equipa de voluntários portugueses do movimento #ProjectOpenAir, entraram para a história do combate à pandemia ao patentearam em nome da Humanidade o projeto de criação de ventiladores 3D de emergência para cuidados intensivos a partir de materiais e componentes industriais comuns.

Também para a Multisector, a pandemia forçou ao isolamento, ao distanciamento com os nossos clientes, ao teletrabalho… e todos perdemos com isso. Mas no final do ano mais adverso das nossas vidas, importa reforçar o positivo. Conseguimos fazer frente ao Covid-19, com saúde física e económica. Apesar das grandes dificuldades a equipa manteve-se ocupada e criativa. Em 2020 a Multisector lançou no mercado um novo produto: o DIGSIM BI. Uma inovadora ferramenta de controlo de gestão mais Simples, com dados organizados, relevantes e diretos, mais Inteligente com atualizações em tempo real e dados interactivos e mais Personalizada com relatórios ajustados às necessidades de cada empresa.

Sinal de que em 2021 seguimos juntos!

 

Cláudia Martins
Gestão de Projetos