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2019 ESTÁ A DESPEDIR-SE!

A nível mundial, a década encerra-se com protestos globais. A indignação varreu o planeta, de Hong Kong a Barcelona, de Santiago do Chile a Beirute, de Paris a Quito. Apesar das distâncias geográficas, uma palavra-chave uniu os milhões de pessoas que, este ano, deram voz à sua indignação: desigualdade!

O mundo foi dominado pelo fenómeno Greta Thunberg, o que lhe valeu a eleição de personalidade do ano pela Revista Time. Inspirados pela ativista sueca, o clima saiu à rua. Milhões de pessoas, na sua maioria jovens, protestaram contra a apatia dos governos mundiais face à crise climática, porque não há um planeta B…

Portugal pôs fim à geringonça e acordou para a tragédia da violência doméstica: 33 mortos até 22 de novembro (dados do Governo). Vinte e cinco mulheres, sete homens e uma criança… Em alta, o negócio imobiliário, especialmente de luxo! 2019 bateu todos os records. Mas o protagonista, foi mesmo a Herdade da Comporta…

Para nós, Multisector, em mais um ano que se encerra e um ciclo que se fecha, é tempo de olhar para trás e rever os planos que foram traçados, o caminho que foi percorrido, as metas e os objetivos que foram alcançados.

Mas é, sobretudo tempo de olhar para a frente, fazer novos planos, identificar novas oportunidades e cimentar aquilo que deu frutos.

Em 2019, fidelizamos clientes e angariamos novos, lançamos produtos e serviços inovadores e solidificamos a nossa experiência, dinamizamos iniciativas e mantivemos a colaboração com diversos grupos de trabalho.

Mas o mais importante que recolhemos de 2019 foi a confiança dos nossos clientes! E a confiança não se conquista num ano ou num único trabalho. A confiança ganha-se com respeito, determinação, compromisso e dedicação. Por isso, mais do que a preferência nós agradecemos a amizade, mais do que o negócio valorizamos a parceria, mais do que a colaboração focamo-nos no resultado! Porque a nossa visão é criar valor nas áreas vitais de qualquer organização e a nossa missão é estar sempre presente na vida dos nossos clientes.

2020 está já aí! Nova década, fim do quadro comunitário de apoio, Brexit, alterações climáticas, muitas oportunidades e desafios.

Continuamos a contar convosco!

Boas Festas.

São os votos de toda a equipa da Multisector.

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A IRONIA DE INOVAR COM O PASSADO!

Carvão Vegetal!

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No início do mês de Dezembro, o governo central delineou as novas diretrizes a serem seguidas para o combate aos fogos rurais, no Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais para 2020-2030 – PNGIFR 2030, que conta com um orçamento médio anual de 554 milhões de euros, totalizando assim 6.095 milhões de euros para este novo plano.

Uma das novidades deste plano é a grande aposta tanto na prevenção como na valorização dos espaços rurais. Isto por duas principais razões, primeiro pelo facto de 60% de todo o orçamento ser destinado à prevenção de incêndios, e segundo pela dotação orçamental destinada aos proprietários e privados que ascende em 20% dos incentivos financeiro.

Os particulares e proprietários poderão beneficiar de um objetivo estratégia estabelecido pelo governo central que consiste em “Aumentar a remuneração dos proprietários com reforma do modelo de gestão florestal”, que se encontra na Orientação Estratégica “Valorizar os Espaços Rurais” que conta com uma dotação de 20% do orçamento[1].

Existem diversas formas de aumentar os rendimentos da exploração florestal/rural, contudo a valorização dos sobrantes, resultante da limpeza obrigatória dos terrenos florestais mas também da exploração dos terrenos agrícolas, são excelente fonte de proveitos que muitas vezes são subaproveitados.

Em Portugal a atividade de manutenção das florestas e campos agrícolas é responsável pela produção de aproximadamente 6,5 milhões de toneladas anuais de Biomassa (madeiras, folhas, lenha de podas, restos agrícolas, entre outras)[2]. Contudo uma das características que define o setor económico primário é uma elevada fragmentação do território, tanto florestal como agrícola sobretudo a Norte e Centro do país[3], o que dificulta a valorização desta Biomassa/sobrantes.

Atualmente a Biomassa, que é valorizada, destina-se na sua maioria a produção de energia elétrica ou a produção de pellets. A restante Biomassa é, infelizmente, utilizada em queimas que aumentam a probabilidade da existência de fogos florestais, que tem devastado o território Português, além de não acrescentar nenhum valor económico para o proprietário.

Uma das soluções que tem vindo a ser estudada, na União Europeia e também Portugal, para combater a falta de rendimento e o problema dos fogos florestais é a transformação da Biomassa, não usada para produção elétrica, em Carvão vegetal usando a pirólise.

Esta técnica de transformação permite obter diversas vantagens quando comparada a outras técnicas de valorização, tais como, armazenamento estável de Gases com Efeito de Estufa que seriam emitidos para a atmosfera, maior poder calorifico e facilidade de transporte. O Carvão vegetal além destes benefícios é bastante versátil e útil em diversas indústrias.

Em Portugal a sua aplicação como fertilizante para o solo é a mais estudada tendo comprovado enumeras vantagens, tais como[4]:

→ Aumento da retenção de nutrientes nos solos até 50%;

→ Aumenta a retenção de líquidos nos solos até 18%;

→ Capacitação dos solos altamente degradados ou erodidos;

→ O uso de 1 tonelada de carvão vegetal equivale à retenção de 2,7 toneladas de CO2, o que ratifica a potencialidade e os benefícios da utilização do carvão vegetal na atividade agrícola nacional.

O Carvão vegetal ou “Biochar” além de ótimo para ser aplicado no solo como fertilizante é ideal em diversas outras indústrias transformadoras e de elevado valor acrescentado[5], quando preparado para tal:

→ Uso como suplemento alimentar para animais, permite a redução de emissões de metano, de doenças digestivas, alergias permitindo assim melhorar a saúde animal;

→ Uso como material de construção, possibilita ser usada como regulador de humidade, protetor eletromagnético, descontaminação tanto dos solos como do ar e finalmente como material de isolamento;

→ Uso para tratamento de águas, ao ser utilizado como filtro (micro e macro) permite obter água potável, como um aditivo nas águas residuais para absorção de resíduos tóxicos e também permite ser usado como uma barreira de proteção contra pesticidas;

→ Uso na medicina, sobretudo para desintoxicação do organismo, como transportador de ingredientes farmacêuticos e também como ingrediente curativo usado em cataplasmas;

→ Ser usado como um escudo eletromagnético, com o devido tratamento o carvão vegetal é eficaz na proteção contra as radiações de todos os equipamentos eletrónicos que nos rodeiam;

→ Diversas outras indústrias, Eletrónica (baterias e semicondutores), Material Industrial (fibras de carbono e plástico), Cosmética (banhos terapêuticos e sabonetes) e Energético (pellets e lenhite) entre muitas outras indústrias.

Esta versatilidade observada do Carvão Vegetal/Biochar está a ter repercussões nos mercados internacionais onde se espera um crescimento anual de 14% no mercado do Biochar entre os anos de 2018 e 2025[6].

É irónico pensar que produzir carvão, uma tecnologia milenar, pode ser HOJE uma forma de inovar na gestão da biomassa.

[1] Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais para 2020-2030
[2] Plano Nacional para a Promoção das Biorrefinarias – Horizonte 2030
[3] NaturLink – Os actores da Floresta Portuguesa
[4] Pro-Natura, Biochar the third green revolution, 2011

[5] Schmidt HP, Wilson K: The 55 uses of biochar, the Biochar Journal 2014, Arbaz, Switzerland. ISSN 2297-1114, www.biochar-journal.org/en/ct/2
[6] Zion Market Research – Global Biochar Market Size

 

Luís Martins
Estratégia & Desenvolvimento

A METAMORFOSE DO HORIZONTE 2020

Programas piloto disponíveis em 2020 –  ACCELERATOR

O Horizonte 2020 vai fechar o seu ciclo de financiamento da inovação no ano que lhe dá o nome. No entanto encerra numa fase de metamorfose, testando novas metodologias de apoio a projetos de inovação que serão a base do novo ciclo de investimento no novo quadro comunitário – o HORIZONTE EUROPA.

 

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Durante o ano de 2020 teremos alguns concursos a decorrer que se consubstanciam em oportunidades únicas para os campeões da inovação acederem a mecanismos de financiamento competitivos.

Para as empresas destaca-se o programa ACCELERATOR que vem substituir o velhinho SME Instrument, numa abordagem ainda mais focada em apoiar projetos que potenciam o escalar dos negócios de forma rápida e com impacto disruptivo no mercado.

Em síntese:

 

1- O Accelerator apoia projetos com elevado risco de inovação promovidos por PME e startups.

2- O financiamento potencial pode ter duas naturezas:

a. Incentivo a fundo perdido: Máximo de 2.5 Milhões de euros (70% dos custos);

b. Capital de Risco: Máximo de 15 Milhões de Euros.

3- Os projetos aprovados terão acesso a serviços especializados de mentoring e coaching, assim como suporte à expansão de rede de Networking.

4- As áreas de atividade não estão limitadas a nenhum tema em específico, pelo que qualquer empresa de qualquer atividade pode concorrer.

De acordo com o seu antecessor, continua a ser um programa extremamente competitivo e exigente. Pelo que é importante avaliar as características de um projeto vencedor.

Partilhamos algumas dessas características:

1. Inovação: os projetos têm de demonstrar um nível de inovação próximo do disruptivo, ou seja, o impacto do projeto traduzir-se-á numa alteração de padrões sociais, económicos ou mesmo de funcionamento do mercado.

2. Elevado Risco: apesar do objetivo do projeto ser escalar negócios com elevado potencial de crescimento, o objetivo deste programa é permitir que boas ideias possam ser colocadas no mercado mesmo que o processo envolva um risco de negócio elevado;

3. Potencial de mercado: muito associado ao risco está a expectativa de retorno, ou seja os projetos devem demonstrar capacidade de abordar o mercado global e um modelo de negócio de elevada rentabilidade

4. Capacidade Técnica: muito importante é também demonstrar que o projeto (a empresa) integra nos seus quadros uma equipa coesa e capaz de responder aos desafios do plano de negócios propostos.

O Accelerator une as boas práticas do SME Instrument à inovação de envolver Capital de Risco, o que permite que as ideias aprovadas tenham uma força financeira motriz que acelera de forma inequívoca a entrada no mercado.

 

A Europa quer mais unicórnios… e nós queremos que eles sejam vermelhos e verdes. Contacte-nos!

 

Irina Machado
Estratégia & Desenvolvimento

PORTUGAL 2020: É HORA DE RAPAR O TACHO!

O Executivo decidiu lançar uma operação de “rapa o tacho” para libertar verbas que estejam comprometidas com projectos do Portugal 2020 e que não têm condições para avançar! O objectivo é acelerar a execução do Portugal 2020 que está apenas em cerca de 40%, quando entramos no último ano do programa.

 

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O que está, então, em causa? Identificar os projetos que se encontrem numa das três seguintes situações:

a) com decisão de financiamento, mas que não assinaram o Termo de Aceitação num período de 90 dias;

b) com o Termo de Aceitação assinado nos últimos 12 meses, mas que não executaram mais de 10% do investimento aprovado e

c) tendo mais de 10% em execução nos últimos 12 meses, não tiveram qualquer acréscimo de despesa.

Os promotores vão ter 30 dias para tentar justificar as razões dos atrasos e, se estas não forem convincentes, perdem o direito ao recebimento do incentivo e, caso se aplique, devolvem o dinheiro já recebido.

Esta operação de limpeza, que já é uma prática na reta final de todos os quadros comunitários de apoio, vai libertar recursos para fazer a última reprogramação do Portugal 2020 e para que no final do programa, Portugal não tenha que devolver nem um cêntimo à Comissão Europeia.

Se tem um projeto numa destas situações, fale connosco. A nossa equipa de Gestão de Projetos pode ajudar a sua empresa a receber os incentivos contratados.

É também a última oportunidade!

Em 2020 vão abrir os últimos concursos para apresentação de candidaturas ao Portugal 2020! Ainda que os projectos possam ser executados até 2023, não será possível submeter nenhuma candidatura depois de dezembro de 2020.

Para os empresários que pretendem avançar com a modernização e qualificação das suas empresas, internacionalizar o seu negócio ou desenvolver novos produtos ou serviços com o apoio dos fundos estruturais, está na hora de falar connosco! A julgar pela experiência passada, na transição do anterior quadro comunitário (QREN), poderá significar aguardar até final de 2021, ou mesmo 2022 para que sejam lançados os primeiros novos concursos.

Melhor não esperar para amanhã, o que pode fazer hoje.
Contacte-nos!

 

Cláudia Martins
Gestão de Projetos

 

GANHOS ADICIONAIS COM FUNDOS DE INVESTIMENTO EM I&D

Já dizia o ditado popular que “no poupar é que está o ganho”! ganhos-adicionais

 

Nos tempos atuais passará a dizer-se que “poupar e investir “bem”, possibilita ganhar o “dobro”!!

 

O segredo da boa poupança é deveras conhecido, mas investir de forma a duplicar ganhos, é recente em Portugal e inovador na Europa.

A inovação designa-se de “Fundo de Investimento em I&D” e beneficia do Código Fiscal ao Investimento (Decreto-Lei n.º 162/2014, de 31/10/2014), a lei que define e especifica os benefícios fiscais ao investimento, entre os quais o SIFIDE.

 

O SIFIDE é conhecido por conceder beneficio fiscal às empresas que realizam actividade de I&D. Mas, desde 2017, este instrumento passou a ter uma dupla abrangência:

 

i. Conceder benefício fiscal às empresas que realizam I&D;

ii. E, também, às Empresas que investem em Fundos de Investimento em I&D.

Neste âmbito, foram criadas sociedades financeiras (reguladas pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) com o objetivo de financiar os empreendedores e promover o ecossistema de inovação.

Estas Empresas, tem uma função de “broker”, ou seja:

 

→ vendem os “fundos de Investimento de I&D” aos aforradores,  e depois

→ aplicam esses “fundos” em empresas que realizam I&D (condição necessária para beneficiarem dos Fundos de Investimento de I&D).

Explicada a mística do “poupar bem” e “investir melhor”, apresentamos uma simulação de investimento, utilizando o Fundo de Investimento BLUECROW INNOVATION FUND III, os valores históricos da empresa XPTO e considerando estimativas para a actividade de 2019:

 

· Despesa total de I&DT (SIFIDE 2019): similar a 2018

· Estimativa de IRC (2019): igual a 2018

· Investimento no Fundo Investimento de I&DT: aproximadamente 50% do IRC (2018)

 

Feitas as contas, obtemos uma rentabilidade de 24,7%.

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As vantagens de proceder à aquisição de Unidades de Participação (UP) deste fundo de investimento, são as seguintes:

 

1. Como a actividade de I&D da XPTO, está estabilizada (constante), na determinação do cálculo do SIFIDE 2018, a empresa não beneficia da componente do acréscimo (taxa incremental de 50%);

2. Este efeito é visível, no “imposto a pagar”;

3. Uma rentabilidade de 24,7%, em situação alguma poderá ser desvalorizada;

4. Por outro lado, o crédito fiscal (SIFIDE dos anos anteriores) está a terminar.

 

Após estas considerações, a compra de UPs da BlueCrow é uma decisão de gestão. O valor unitário da UP é de 50 K€.

 

Conheça a apresentação do Fundo de Investimento BLUECROW INNOVATION FUND III aqui.

Para qualquer esclarecimento não hesite em contactar-nos.

 

João Lacão
Diretor Geral

TEM UM PROJETO DE INOVAÇÃO, QUALIFICAÇÃO OU INTERNACIONALIZAÇÃO APROVADO?

As PME com projetos de Inovação, Qualificação e Internacionalização aprovados e em curso no âmbito do PT2020, podem candidatar-se, até ao final do ano, a projetos de formação integrados nos processos de inovação em curso.

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Trata-se de uma excelente oportunidade para, através de um diagnóstico de necessidades de competências e formação, por áreas funcionais que sejam determinantes para melhoria da competitividade das empresas, financiar a formação dos recursos humanos em áreas estratégicas como forma de dar resposta às tendências de evolução dos mercados e produtos, das tecnologias, dos modelos organizacionais e de negócio potenciados pelos projetos de investimento apoiados. Estamos a falar de ações de formação em áreas transversais ao funcionamento das empresas, como o marketing, comercial, gestão e administração, finanças, fiscalidade e contabilidade, línguas ou desenvolvimento pessoal.

O apoio financeiro é concedido ao abrigo do Fundo Social Europeu, mas as acções de formação têm que estar exclusivamente associadas a investimentos, enquadrados em instrumentos aprovados financiados pelo FEDER (Sistemas de Incentivo à Inovação, Qualificação e Internacionalização). Significa que estão excluídas destas candidaturas ações que incidam sobre a área produtiva das empresas beneficiárias.

O apoio reveste a forma de incentivo não reembolsável, a uma taxa base de 50%, acrescida das seguintes majorações: 10 p.p. se a formação for dada a trabalhadores com deficiência ou trabalhadores desfavorecidos;10 p.p. se o incentivo for concedido a médias empresas e 20 p.p. no caso das micro e pequenas empresas. No máximo, o apoio a conceder não pode ultrapassar 70% das despesas elegíveis.

Se tem um projeto de Inovação, Qualificação ou internacionalização aprovado e precisa de implementar um plano de formação interno que potencie os processos de inovação em curso, não deixe escapar esta oportunidade. As candidaturas podem ser apresentadas até 31 de dezembro.

 

Contacte-nos!

 

Cláudia Martins
Gestão de Projetos

MULTISECTOR NAS JORNADAS INTERNACIONAIS DA CAPITAL DO MÓVEL

A Multisector foi convidada para participar nas I Jornadas Internacionais da Capital do Móvel, que decorreram nos dias 20 e 21 de Novembro no auditório da Associação Empresarial Paços de Ferreira.

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João Soares, Consultor em Estratégia e Desenvolvimento da Multisector fez parte do Painel de especialistas em “Inovação em Marketing na Era Digital” que contou, ainda com os seguintes oradores: ­Jorge Remondes – diretor da pós-graduação em Marketing Digital e eCommerce do ISVouga; Joana Teixeira da Worldfootwear.com; Ângelo Gomes da Castro Lighting; Jorge Resende – Communication manager da PDF. O moderador do evento foi Jorge Daniel Pacheco do Centro de Estudos Sociais e Organizacionais do Politécnico do Porto.

“(…) uma hora de buzzwords de marketing pode tornar-se um pouco confuso para quem nunca as ouviu.” Foi assim que João Soares iniciou a sua breve intervenção que se diferenciou das restantes pela adaptação do tema à realidade das empresas no processo de investimento em Marketing e Inovação digital.

 

Salientado que “(…) com mais de duas décadas de história a financiar a inovação, a Multisector vai para lá das candidaturas ao Portugal 2020. Tem apostado sim, principalmente na ligação de empresas altamente tecnológicas com o mercado e na sua capacidade de inovar no mesmo. É neste sentido que a questão de Marketing se tem tornado mais proeminente. E porquê?

Ora, a Multisector té abordada por dois tipos de clientes:

1. O cliente que sabe o que quer fazer. Quer fazer marketing porque ouve falar nisso, quer investir em Marketing, quer contratar pessoal de marketing, quer ter um website novo, (etc.).Mas que têm dificuldade em saber o “Porquê?”, muitas vezes justificando que segue a concorrência. Aqui podemos ver que, tal como o primeiro orador (Prof. Doutor Jorge Remondes)  destacou, não há uma verdadeira estratégia delineada;

2. O cliente que sabe realmente o que procura, o que pretende atingir, onde ambiciona chegar/posicionar-se mas que tem dificuldades com o “Como” lá chegar, “como” saber o que fazer, “como” mitigar o risco ou “como” financiar este caminho.

 

É por isso que o planeamento de Inovação e o de Investimento estão sempre de mãos dadas. Porque investir cegamente seja em Marketing seja em outras atividades de Inovação é um grande risco. É preciso delinear uma estratégia realista que permita ao empresário chegar onde quer. Isto é também verdade para todas as tarefas de Marketing. Para se fazer conteúdo tem que se saber o que se vai escrever, porque se vai escrever e para quem se vai escrever, caso contrário é tempo perdido.”

Destacando curiosidades sobre a Multisector foi referido que “ é no sector forte da Multisector, o TICE, que encontramos um tipo interessante de perfil de empresário e fundador. São técnicos especializado (engenheiros, informáticos, eletrotécnicos, etc) que cresceram a desenvolver, têm os produtos que competem com os melhores lá fora e, no entanto, são maus a gerir e a vender, o que os leva muitas vezes a colocar estas tarefas em segundo plano. Isto acontece também com os clientes industriais. Temos produtores portugueses e fábricas operam muito na dinâmica de Private Label. Pois somos espetaculares a fazer, somos tão bons a fazer que as maiores marcas lá de fora vêm cá pedir para fazermos para elas. Então porque é que não criamos as nossas próprias marcas?“

 

É que vender sem Estratégia e sem uma visão tende a assustar os empresários. E, como os nossos (Multisector) clientes cada vez mais procuram vender melhor, têm vindo a dar mais valor ao marketing.”

“As PME de hoje estão a investir e a apostar forte em Inovar e é impossível falar em inovação empresarial sem falar em marketing. Quando nos chegam com uma ideia, e esta pode ser a mais variada, desde uma linha de produção, à digitalização da empresa, um novo website. Esta ideia tem que estar assente em algo mais global, num projecto mais global. Este website vai estar inserido onde? Quem é que vai operar? Porquê? Porque o está a fazer?… toda esta estratégia necessita de estar interligada, além do departamento de marketing que avai dirigir, é necessários que as restantes áreas da empresa entendam o seu real valor. Uma empresa que opera em caixinha: os da produção operam na produção, os do marketing operam no marketing, os das vendas nas vendas (….) Não funciona! Cria atritos e dificuldades de comunicação e consequentemente, de gestão.”

 

“(…) quando nos trazem uma ideia é necessário avaliarmos a sua viabilidade, seja os seus investimentos seja estas estratégias de marketing, se ela está adequada às personnas, ao segmento, aos objectivos da empresa, se faz sentido investir no multicanal, se queremos estar em todas as redes sociais, fará sentido? Para quê? Vamos investir nisso tudo? Quem paga a conta?

 

Na Multisector, gostamos de levar as ideias para o mercado. E a inovação digital  não é uma inovação diferente das outras. É uma inovação que está também assente nas buzzwords que todos os projetos de investimento têm como defesa/mérito: #Inovação organizacional #Inovação do produto e #Inovação de marketing. São chavões que se cruzam entre si e que hoje em dia, com a parte da inovação digital, se têm tornado mais “palpáveis”.

 

Habitualmente, quando as empresas  pensam que querem “digitalizar-se” vão comprar mais ums módulos “ERP/CRM” (…) Pensam (erradamente) que com isto estão a “Inovar e a digitalizar”. A isto digo: Não, apenas estão a adquirir um sofware. Se não fazem uso dele até vai ter um custo maior do que o seu preço, o custo da limitação da gestão da empresa. É preciso ver a empresa de dentro para fora e não investir cegamente em soluções Digitais Standard, sejam elas de Marketing ou Gestão. Se é a sua empresa que se ajusta ao software e não o contrário, tenho uma má noticia para lhe dar.

 

(…) hoje em dia entramos numa era de dados o que torna cada uma das empresa um organismo único. É necessário que o gestor 4.0 consiga utilizar estes dados no seu dia a dia, se não são apenas números e gráficos bonitos pelos quais pagou caro. Se eu lhes disser que à semelhança do Marketing, a verdadeira Transformação Digital também não acontece sem as pessoas?”

Foi neste seguimento que João Soares aproveitou para fazer o Pitch da mais recente inovação da Multisector:

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“Este ano lançamos o digsim.pt, (…) DigSim  é uma solução digital integrada da Multisector. Não é um software .Não é um serviço. É ambos. É uma solução pensada para simplificar a componente de gestão das empresas.

 

Com o digsim.pt trabalhamos a empresa da frente para trás. Avaliamos, discutimos e trabalhamos em conjunto com os responsáveis para definirmos onde querem chegar, qual é a melhor estratégia para empresa, o que realmente faz sentido medir e, com base nisso, trabalha-se a empresa da frente para trás.

 

Não adianta impingir às empresas esta “transformação digital” onde se colocam todos os dados e mais alguns num dashboard e se acaba por não retirar nenhum significado, nenhuma conclusão deles.

O fundamental é saber o que se quer ler e recolher desses dados, para depois se trabalhar para trás e melhorar todos estes processos, reduzindo os custos das empresas e melhorando as performances e obter das apostas em Marketing maior notoriedade, mais quota, melhor posicionamento e a cima de tudo, mais VENDAS! Porque as empresas se existem é para isso para Vender esse é o propósito da sua existência”

O painel encerrou com um conjunto de questões do público e networking, naquela que foi uma sessão rica em partilha de experiências entre empresas de diversas áreas mas com muito em comum.

 

Ana Almeida
Marketing

BARCELONA | PALCO DA INOVAÇÃO E DA TECNOLOGIA

Foi na Fira de Barcelona, no final do mês de outubro, que subiram ao palco dois eventos de grande importância para o tecido empresarial:

• IoT Solutions World Congress  uma referência global para a indústria da “Internet das Coisas”;
• INDUSTRY From Needs to Solutions – uma feira indústrial com as últimas soluções tecnológicas.

A Multisector marcou presença em ambos os salões para conhecer as mais recentes inovações nestes domínios e apresenta de seguida uma breve síntese do que de mais inovador se falou nestes eventos.

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O IoTSWC, considerado o maior evento de IoT a nível mundial, reuniu centenas de entidades provenientes dos 4 cantos do mundo.

Nesta que foi a 5ª. edição do evento e que agregou também o Blockchain Solutions World e o AI & Cognitive Systems Forums, de acordo com os dados da organização, passaram pelo recinto da feira cerca de 16 mil visitantes e participaram 350 expositores.

A visita deu a conhecer o estado da arte da era da transformação digital, não só das soluções de IoT, mas, também, em áreas como Blockchain, Inteligência Artificial, e Realidade Virtual, Aumentada e Mista.

Tratou-se de uma excelente oportunidade para acções de network e de interação com os maiores especialistas do sector que inspiraram as empresas a fazer desta tecnologia o seu motor de inovação.

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A 4º. edição da “Industry From Needs to Solutions”- feira que promove a inovação na Indústria, incorporou sete áreas distintas: máquinas e ferramentas, conectividade e dados, impressão 3D, automação e robótica, moldes e matrizes, novos materiais, e desenho e serviços.

O recinto da Gran Via recebeu cerca de nove mil visitantes e reuniu mais de 150 empresas que apresentaram as melhores aplicações, soluções, tecnologias de fabricação avançada para as empresas melhorarem a sua produção atual e futura.

Em grande destaque esteve a fabricação aditiva (impressão 3D), sendo várias as empresas que aproveitaram o evento para mostrar o que já se consegue fabricar neste sector.

Integrado neste evento decorreu também o Congresso de Cybersegurança que se centrou nas questões de segurança informática na indústria (4.0) mas, também, nos negócios e na governação.

Assumidamente, tratou-se de um espaço que juntou especialistas e empresários que debateram o futuro da fabricação mais inteligente.

 

Pedro Reis
Consultor em I&D

O PORTUGAL 2020 ESTÁ A ENTRAR NA RECTA FINAL

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No início de 2019, o Ministro do Planeamento focou o importante objetivo político e estratégico de “lançar concursos de toda a natureza para aplicar/atribuir todos os fundos disponíveis, 5 mil Milhões de Euros” durante o ano de 2019, tendo sido disponibilizado o Plano Anual de Concursos (PAC) para o mesmo período.

Analisando-se o PAC, e no que diz respeito aos Sistemas de Incentivo à Inovação Produtiva, Empreendedorismo Qualificado e Criativo, Internacionalização e Qualificação, verifica-se que o prometido tem sido cumprido. E o facto é que está ainda prevista a abertura de novos concursos para estas tipologias até final deste ano.

Como tal, avizinha-se um importante momento para as empresas que queiram realizar investimentos nestas tipologias, uma vez que poderá ser a última oportunidade para se poderem candidatar no âmbito do Portugal 2020, ficando depois dependentes da publicação dos primeiros concursos do Portugal 2030. E, a julgar pelo período de tempo que distou o último concurso do QREN e o primeiro do Portugal 2020, poderá significar aguardar até final de 2021, ou mesmo 2022.

Assim, caso tenha interesse em candidatar-se a um projeto de Inovação Produtiva (seja PME ou Grande Empresa), Empreendedorismo Qualificado e Criativo, Internacionalização ou Qualificação (se for PME), conte com a Multisector para auxiliar desde já na preparação de toda a informação relevante para a submissão da candidatura.

Começar a trabalhar cedo na ideia de projeto pode ser uma ‘vantagem competitiva’ para a sua empresa, por 2 principais razões:

1.
Mais tempo para preparar toda a informação, discutir a estratégia, preparar o plano de ação, e realizar todo o estudo económico-financeiro associado à operação;

2.
Permite preparar a candidatura com antecedência, deixando tudo (ou quase tudo) pronto para a sua submissão aquando da publicação do concurso e disponibilização do formulário online (e isto é um ponto que pode fazer toda a diferença, uma vez que a data de submissão da candidatura constitui fator de desempate em caso de empate na classificação do projeto).

Apresentamos de seguida os nossos números, por programa de incentivo:

Inovação Produtiva: 23 candidaturas apresentadas, das quais 14 aprovadas (taxa de sucesso de 61%);

→ Empreendedorismo Qualificado e Criativo: 5 candidaturas apresentadas, tendo sido 3 aprovadas (taxa de sucesso de 60%);

→ Internacionalização das PME: 70 candidaturas apresentadas, das quais 60 aprovadas (taxa de sucesso de 86%);

→ Qualificação das PME: 28 candidaturas apresentadas e 20 aprovadas (taxa de sucesso de 71%).

Não deixe escapar aquela que poderá ser a última oportunidade de se candidatar a apoio financeiro para a concretização dos seus projetos e dos objetivos da sua empresa.

Entre em contacto connosco!

Pedro Alves
Gestão Empresarial

O FUTURO DA INDÚSTRIA PORTUGUESA

Conferência FÁBRICA 2030

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A Multisector esteve presente na conferência que se realizou no passado dia 17 de outubro em Serralves, para assinalar os 30 anos da Fundação e o terceiro aniversário do portal de informação económica ECO.

A sala estava mais que lotada com direito a lugares extra no palco, para assistir ao debate sobre o tema Indústria, que falou por si. Neste espaço de reflexão, foi possível reter ideias relevantes para o tecido empresarial.

 

Destacamos as seguintes mensagens das intervenções que sobressaíram neste evento:

Rui Moreira | Presidente da CM do Porto anunciou o lançamento de um programa de benefícios fiscais para as empresas tecnológicas se instalarem na cidade. Mais informações aqui.

 

 Álvaro Santos Pereira | Diretor do Departamento de Estudos sobre países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) fez uma análise nua e crua do desenvolvimento (ou estagnação) da economia portuguesa e uma crítica muito fundamentada naquelas que têm sido as decisões políticas de apoio às empresas em especial à indústria. Passou uma mensagem clara de que a reindustrialização nacional é essencial para apoiar o crescimento económico do país. Os apoios para as PME devem existir e servir com o propósito destas ganharem escala. Avançou ainda que a diminuição dos impostos é crucial e que deveria implementar-se um reforma para corrigir a dispersão e refratação das políticas de benefícios fiscais. Deve apostar-se na transparência para captar investimento estrangeiro e para que os empresários sejam motivados a declarar resultados, a capitalizar as suas empresas, em vez da fuga ao “fisco” com custos irreais. Saiba mais.

 

 Ana Lehmann | Professora da Faculdade de Economia da Universidade do Porto salientou que “São as máquinas que vão salvar este país”, argumentando que existe falta de mão de obra para a indústria e que as empresas têm efetivamente que apostar nas tecnologias da indústria 4.0 para fazer frente a essa escassez. Enquanto tal não acontecer será a imigração que irá resolver a falta de mão de obra existente.

 

 Carlos Tavares | Chairman do Banco Montepio assumiu que “os bancos não ajudam as empresas”, que a política de financiamento da banca nacional não está adequada às reais necessidades das empresas e que é preciso inovar nos instrumentos que se criam. Acrescentou, ainda, que as taxas de juro baixas que temos, faz com que se invista e financie projetos com rentabilidades pouco interessantes.

 

 Florbela Lima |EY, direcionou a sua intervenção para os resultados de um estudo sobre a atratividade de Portugal para o investimento direto estrangeiro.

Pela partilha de várias realidades e boas práticas empresariais, o painel seguinte foi de grande interesse sobretudo para o os empresários cujas empresas se encontram em processo de crescimento e melhoria contínua.

Ângelo Ramalho | CEO da Efacec referiu que os equipamentos 4.0 já são fabricados há mais de 20 anos. A verdadeira transformação não está nos equipamentos ou tecnologia, mas sim na gestão de informação e de um novo paradigma de gestão de recursos humanos.

 

 António Martins da Costa|Administrador da EDP mencionou que no sector da produção e distribuição de energia, a revolução tem sido na relação com o consumidor, cada vez mais digital. No entanto, mais próxima, é um fenómeno interessante. Como um sector “enabler” sabem que existem desafios de energia para dar resposta a um novo paradigma de indústria mais intensiva em equipamento, mas também à necessidade de descarbonização e descentralização de processos.

 

 César Araújo | CEO da Calvelex elucidou que na indústria têxtil, a história da indústria 4.0 não passa tanto pela robotização, porque as máquinas e equipamentos utilizados têm evoluído sgnificativamente em termos de desempenho e eficiência, mas sim pela aposta na valorização da marca e das pessoas. Criticou, a política do governo no que toca aos custos fiscais e parafiscais, partilhando que no sector têxtil a atual política não serve o interesse nem dos empresários nem dos colaboradores.

 

 João Serrenho | CEO da CIN referiu que os ciclos de inovação têm sido cada vez mais curtos, o que implica um investimento constante mas também ganhos de eficiência significativos.

 

 José Manuel Fernandes | CEO da Frezite destacou que a robotização e a IoT são uma realidade em curso, que não têm impacto no número de postos de trabalho, mas sim no perfil das pessoas. Partilhou a sua experiência e disse que tiveram de efetuar um esforço de requalificação das pessoas para trabalharem num novo contexto. Este contexto possibilita agora vislumbrar a próxima aposta: utilização da informação existente para apoiar as decisões de gestão e tornar os processos mais ágeis. Desmitificou ainda que a robotização, a automação e a IoT não são processos complexos ou muito onerosos e o investimento pode ser efetuado de forma faseada.

 

 Rui Miguel Nabeiro | CEO da Delta Cafés falou da importância de se trabalhar ao nível da inovação de produtos e do branding, e apresentou a recente aposta na clusterização do sector através do investimento numa marca do país como referência de bom café.

Leia aqui a notícia que resume e destaca as intervenções destes empresários/industriais.

A Fábrica 2030 reuniu cerca de 300 empresários e gestores para conhecer, ouvir e discutir o futuro da indústria portuguesa e as oportunidades inerentes à transformação digital, automatização, robotização, machine learning, inteligência artificial, as oportunidades da indústria 4.0.

Irina Machado
Estratégia e Desenvolvimento