2021: TENDÊNCIAS TECNOLÓGICAS ESTRATÉGICAS

28 Outubro 2020

2021: TENDÊNCIAS TECNOLÓGICAS ESTRATÉGICAS

Recentemente a consultora Gartner revelou as tendências tecnológicas estratégicas que prometem marcar o ano de 2021. Estas tendências são influenciadas pela necessidade de dar resposta ao atual contexto de crise provocada pela pandemia e incidem em três pilares: Centralização nas Pessoas, Independência de Localização e Entrega Resiliente.

2021-tendencias-tecnologicas-estrategicas

De seguida, damos a conhecer o Top 9 das tecnologias estratégicas, que compõem o “Top Strategic Technology Trends for 2021” divulgado durante Gartner IT Symposium/Xpo Americas:

Internet of Behaviors (IoB) – À recolha e análise de dados com o objetivo de incutir comportamentos é denominada por Internet of Behaviors (que se poderá traduzir em: Internet de Comportamentos). A IoB combina tecnologias diversas (soluções de reconhecimento facial, sistemas de localização, wearables, Big Data, etc.) para recolha de dados que as pessoas geram no seu dia-a-dia e correlaciona essa informação resultando em eventos comportamentais. As organizações podem vir a utilizar essa informação para influenciar comportamentos no ser humano e deste modo afetar diretamente a forma como interagem com os seus colaboradores e clientes. Embora seja um paradigma que certamente ainda dará origem a intensos debates éticos e sociais, a Gartner prevê que até 2025 mais de metade da população mundial tenha sido sujeita a pelo menos um programa de IoB.

Total Experience – Trata-se de uma nova estratégia apresentada pela Gartner, que combina a Multiexperiência (abordagem apresentada pela mesma consultora o ano passado, associada ao desenvolvimento soluções que promovam múltiplas experiências de utilização) com áreas tradicionalmente mais isoladas (experiência do cliente, experiência do colaborador, experiência do utilizador). Aqui o objetivo é melhorar a experiência para todos os intervenientes, o que vai permitir transformar negócios e alcançar resultados comerciais diferenciados e mais adequado a todos (muito útil para empresas em recuperação do impacto da pandemia).

Privacy-enhancing computation – À medida que a quantidade de dados aumenta, os riscos de ataque à privacidade são cada vez maiores. Diferente das abordagens mais comuns que protegem dados em repouso, a abordagens computacionais “privacy-enhancing” referem-se a um conjunto de tecnologias que procuram proteger dados durante a sua utilização. A Gartner prevê que até 2025, metade das grandes organizações terão implementado soluções baseadas em privacy-enhancing computation (que pode ser traduzido em algo como computação em prol da melhoria da privacidade) para processamento de dados em ambientes não confiáveis (especialmente diante de atividades como transferência de dados pessoais, monetização de dados e análise de fraudes, bem como outros casos de uso de dados altamente confidenciais).

Distributed Cloud – Tendência tecnológica que resulta da aplicação da tecnologia cloud para interoperar com dados e aplicações que possam estar em várias localizações geográficas, já sendo considerada como o futuro da computação em nuvem (cloud computing). Permite que as empresas mantenham, operem e desenvolvam serviços na cloud pública, e os executem em diferentes locais físicos. Fornece um ambiente ágil que ajuda a ultrapassar questões de baixa latência, custos e regulamentos de privacidade que exigem que dados permaneçam numa localização física.

Anywhere Operations – Modelo operacional de TI assente em infraestrutura distribuída, que permite a clientes, colaboradores e parceiros operar e gerir negócios a partir de qualquer lugar. Mais do que teletrabalho ou atendimento remoto a clientes, este conceito refere-se ao desenvolvimento de infraestruturas digitais escaláveis, que incluam experiências de valor agregado em torno de cinco áreas core: colaboração e produtividade, acesso remoto seguro, infraestruturas edge e cloud, quantificação da experiência digital e automação para suportar operações remotas.

Cybersecurity Mesh – À medida que as organizações se rendem à transformação digital, cresce também a necessidade de garantir que o acesso destes ativos se mantém seguros. A malha de cibersegurança refere-se ao conjunto de tecnologias que permite o acesso e utilização segura de qualquer ativo digital independentemente da localização quer do ativo, quer do utilizador. Trata-se de uma abordagem arquitetónica distribuída para controlo de segurança escalável, flexível e confiável que garante o acesso e utilização segura quer de ativos baseados na cloud, quer de dados distribuídos oriundos de dispositivos não controlados.

Intelligent composable business – De um modo geral, o principal foco das organizações é garantir a eficiência dos seus negócios, sendo que para tal, têm recorrido a processos estáticos. Consequentemente, quando atingidas por situações inesperadas (como a COVID-19), revelam pouca capacidade e resposta. Este conceito surge em resposta à necessidade de apostar em processos e arquiteturas inteligentes, modulares, e ‘combináveis’ , com capacidade de se adaptar ao ritmo das mudanças. A utilização de tecnologias que facilitam o acesso a dados; que possam melhorar essa informação com novos insights, e consequentemente melhorar a tomada de decisão potenciam a abertura de novos modelos e processos de negócios mais ágeis, permitindo respostas mais rápidas e eficazes.

AI Engineering – Segundo a Gartner apenas cerca de metade dos projetos de Inteligência Artificial (IA) conseguem passar do protótipo à produção. Isto acontece principalmente devido à ausência de ferramentas que permitam dimensionar estes projetos. A Engenharia de IA surge como uma estratégia robusta para facilitar o desempenho, escalabilidade, “interpretabilidade” e confiabilidade dos modelos de IA, ao mesmo tempo que procura oferecer valor aos investimentos realizados em IA. Está centrada na governação e gestão do ciclo de vida dos mais diversos modelos de IA e assenta em três pilares: DevOps, ModelOps e DataOps.

Hyperautomation – A “hiperautomação” orientada a negócios é uma abordagem no qual as empresas procuram automatizar rapidamente o máximo de processos de negócio e de TI que conseguirem. É uma tendência que tem vindo a crescer nos últimos anos e que será acelerada com a pandemia, onde o digital vem em primeiro lugar. É potenciado por ferramentas de IA, Machine Learning, software orientado a eventos, automação de processos robóticos e outras ferramentas de automação de tarefas e tomadas de decisão.

Quais serão as suas apostas?

 

Carla Ribeiro
Investigação & Desenvolvimento