O REGRESSO À ANORMALIDADE NORMAL

28 Setembro 2020

O REGRESSO À ANORMALIDADE NORMAL

O novo ano laboral começou com a anormalidade já normal do nosso novo dia-a-dia. O surto de covid-19 está ainda longe do fim e nos últimos dias ultrapassou-se a barreira de 1 milhão de mortes e 33 milhões de infetados no mundo inteiro.

anormalidade

Há países que já tiveram o surto controlado, mas que neste momento voltam a estar a braços com um grande aumento de casos. Pelo menos 30 países europeus registaram uma subida acentuada das infecções nas últimas semanas, incluindo Portugal. Sinais de que a 2ª vaga está aí!

Fomos assistindo a um “desconfinamento” progressivo, mas o regresso ao trabalho pós férias não afastou os cenários da incerteza sanitária, social e económica. Para evitar um aumento exponencial de contágios decorrente da gradual retoma da atividade, o Governo decretou o regresso ao Estado de Contingência a partir de 15 de Setembro e, como medida preventiva por causa do contexto internacional, da chegada do Outono e do regresso às aulas e aos trabalhos, prolongou-o até 14 de outubro.

As concentrações estão limitadas a 10 pessoas, os horários de funcionamento dos estabelecimentos comerciais foram revistos, nas áreas de restauração de centros comerciais, instituiu-se o limite máximo de 4 pessoas por grupo, a venda de bebidas alcoólicas nas estações de serviço está proibida e está vedado o consumo na via pública.

Com o regresso às aulas em regime presencial, assistimos a uma readaptação do funcionamento das escolas à nova realidade sanitária com a criação de planos de contingência em todas as escolas, distribuição de EPIs e implementação de referencial de atuação perante caso suspeito, caso positivo ou surtos. Nos restaurantes, cafés e pastelarias próximas das escolas, não são permitidos grupos superiores a 4 pessoas.

O teletrabalho, sempre que possível, continua a ser aconselhado e, nas regiões de Lisboa e Porto, é obrigatório o desfasamento de horários de entrada e saída e a rotatividade entre trabalho presencial e teletrabalho.

Mas os números de Portugal não são animadores. A população desempregada aumentou 3,3% em relação a julho de 2020, 44% relativamente a maio e 25,7% por comparação com agosto de 2019. O Instituto Nacional de Estatística (INE) refere que o Produto Interno Bruto de Portugal registou, entre Abril e Junho deste ano, uma diminuição em cadeia de 13,9% em termos reais face ao primeiro trimestre de 2020, e de 16,3% em termos homólogos, face aos mesmos três meses de 2019, que foram impactados por fortes quebras no consumo e no investimento. A área de bens alimentares foi a única componente de consumo privado que se manteve imune neste período, com a maior subida desde 1999. A nível sectorial, é a construção que se destaca pela positiva. Sem ter parado nestes meses, por causa do novo coronavírus, e ao contrário do que aconteceu na anterior crise em que foi uma das principais vítimas, a construção tem estado a resistir à crise pandémica sem cair, e até a conseguir crescer. Já as exportações de bens e serviços recuaram 39,5% face ao período homólogo, mais do que a queda de 29,9% nas importações em grande medida devido à quase interrupção do turismo de não residentes.

Parar já não pode ser mais solução. É necessário manter a pandemia controlada, mas ao mesmo tempo possibilitar a recuperação económica e social do país. Têm sido implementadas medidas como o “lay-off simplificado, os complementos, o regime de sucessão do lay-off simplificado e outros apoios sociais para amortecer o aumento do desemprego. Foram criados mecanismo de apoio à contratação de recursos humanos – programa +CO3SO Emprego – suporta os custos diretos com os postos de trabalho criados (salário base + taxa social única) e apoio adicional de 40% para os custos associados, tudo a fundo perdido. Para diminuir a forte assimetria entre as regiões do país relativamente ao investimento em I&D, à cooperação interempresarial e as entidades não empresariais do sistema de I&I e ao investimento em atividades inovadoras e qualificadas, estão abertos, até 30 de outubro, o aviso para apresentação de candidaturas a Projetos de “I&D Empresarial em Copromoção” para Territórios do Interior sendo que a data limite para elegibilidade das despesas é 30 de junho de 2023 e o aviso referente à “Inovação Produtiva” para os territórios de Baixa Densidade das regiões Norte, Centro e Algarve até 31 de dezembro.

Não baixem os braços. Seguimos juntos!

Cláudia Martins
Gestão de Projetos