REGRESSAR AO ESCRITÓRIO… OU TALVEZ NÃO

29 Maio 2020

REGRESSAR AO ESCRITÓRIO… OU TALVEZ NÃO

O confinamento imposto pela pandemia vai ficar ligado para sempre à tomada de consciência por parte das empresas e trabalhadores de que afinal o trabalho remoto não é inimigo da produtividade. Salas de estar transformadas em escritórios e escolas, com a convivência entre alunos e trabalhadores, podia ter levado ao caos, mas a verdade é que a resposta, de forma genérica, tem sido muito positiva. Segundo dados divulgados em estudos realizados pelo INE, Banco de Portugal, Universidades e Consultoras, revelam que a maioria dos trabalhadores em teletrabalho sente-se feliz por trabalhar a partir de casa. E a produtividade não se ressentiu, mesmo com a necessidade de se conciliar o trabalho com a vida familiar!

teletrabalho

De repente, o teletrabalho ganha uma dimensão que leva as empresas a fazer contas ao que se pode poupar: redução de gastos energéticos, de custos com limpeza e consumíveis gerais, corte dos prémios de seguros de acidentes de trabalho e a rapidez com que os seus colaboradores se ligam a qualquer plataforma sem o risco de ficarem presos no trânsito. As reuniões passam a ser feitas na mesa da sala e chegar ao emprego não demora mais do que o tempo de ligar o computador. As viagens de trabalho para reuniões fora do país de uma hora dificilmente voltarão e, até na mesma cidade, a maioria dos encontros passará a ser feita por computador poupando, simultaneamente, custos e tempo.

Mas se trabalhar a partir de casa pode ser bom para a gestão familiar e quotidiana e ajudar a baixar despesas e a pegada ambiental, esta opção não está isenta de efeitos negativos: ganha-se na vida pessoal, mas deixamos de socializar, a economia ressente-se no baixo consumo e a saúde, ou a falta dela, no stress e na falta de bem estar físico. As empresas podem perder em cultura empresarial, em envolvimento dos trabalhadores e em controlo e desligar ao final do dia ou ao fim de semana torna-se mais difícil.

Não há uma fórmula certa, mas uma coisa é certa: já ninguém contesta que o teletrabalho veio para ficar e a conciliação entre as duas formas de trabalhar apresenta-se como uma realidade que será cada vez mais utilizada nas empresas. Esta alteração coloca grandes desafios às empresas e aos trabalhadores: lideranças altruístas, baseadas na confiança nas equipas e trabalho mais orientado para a produtividade, proatividade, autonomia e autoformação.

Muitas questões ficam para já sem respostas: se um trabalhador quiser continuar em teletrabalho, o empregador pode obrigá-lo a voltar ao escritório? Se se confirmar um modelo híbrido entre trabalho remoto e presencial, que benefícios poderão ser negociados por parte do trabalhador? Quem paga as comunicações e a energia durante o trabalho em casa?

São pontos que entrarão na discussão mais à frente aquando do regresso à normalidade anormal.

 

Cláudia Martins
Gestão de Projetos