UMA NORMALIDADE ANORMAL

30 Abril 2020

UMA NORMALIDADE ANORMAL

O nosso dia a dia mudou. E poderá nunca mais ser igual. Do emprego à forma como socializamos, passando pela nossa relação com a Natureza, a normalidade pode nunca mais ser “normal”.

 

 

normalidade

Mas o que seremos, então, no pós-covid-19? Para já, torna-se claro que não poderemos simplesmente voltar à etapa precedente, como se esta experiência tivesse sido apenas uma paragem. Não podemos ficar indiferentes, quando sabemos que o colapso da economia vai causar níveis de desemprego e fome sem precedentes, que matará muita gente, ainda que de uma forma silenciosa e sem ninguém para os contar. É impossível dizer quantos desempregados valem uma vida, mas o sofrimento humano extremo de muitos milhares em Portugal e muitos milhões pelo mundo tem de entrar obrigatoriamente na equação das nossas decisões futuras.

Ainda que com grande desconhecimento sobre o que se vai poder fazer (ou não) e quando, com a passagem do Estado de Emergência para o Estado de Calamidade anunciado hoje pelo Governo, já são visíveis alterações de muitas das regras que se encontravam em vigor e que transformaram radicalmente as rotinas dos portugueses.

É a luz ao fundo do túnel, mas não significa o regresso às rotinas. Mantem-se o confinamento obrigatório para os doentes COVID-19 ou indivíduos em vigilância e o isolamento domiciliário continua a ser um dever cívico. Os eventos com mais de 10 pessoas estão proibidos e os familiares continuam a ser os únicos que podem participar nos funerais. O uso de máscaras passa a ser obrigatório nos transportes públicos e também nas escolas e o recurso a teletrabalho, sempre que seja possível, deve ser mantido durante o mês de maio. Ao nível das atividades económicas, o pequeno comércio, cabeleireiros e barbeiros podem abrir portas a partir do dia 2 de maio, os restaurantes e cafés com limitação de 50% da capacidade, as creches e as aulas de 11º e 12º anos retomam a partir de dia 18, enquanto que os balcões de atendimento ao público terão uma abertura desconcertada. A partir de 1 de junho abrem a lojas do cidadão, os jardins de infância, voltam as cerimónias religiosas e os eventos culturais e desportivos, ainda que com elevadas restrições a anunciar à posteriori. A vigilância nas estradas e fronteiras vai-se manter, as praias continuam com acesso vedado e os passeios estão limitados.

Mas o regresso à “normalidade possível” terá de ser lento e gradual, com cada passo a ser bem medido antes do seguinte e tudo isto sem desequilibrar a balança economia/saúde. É devagarinho… para não estragar o que já foi feito!

 

Seguimos juntos!

 

Cláudia Martins
Gestão de Projetos