O FUTURO DA INDÚSTRIA PORTUGUESA

21 Outubro 2019

O FUTURO DA INDÚSTRIA PORTUGUESA

Conferência FÁBRICA 2030

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A Multisector esteve presente na conferência que se realizou no passado dia 17 de outubro em Serralves, para assinalar os 30 anos da Fundação e o terceiro aniversário do portal de informação económica ECO.

A sala estava mais que lotada com direito a lugares extra no palco, para assistir ao debate sobre o tema Indústria, que falou por si. Neste espaço de reflexão, foi possível reter ideias relevantes para o tecido empresarial.

 

Destacamos as seguintes mensagens das intervenções que sobressaíram neste evento:

Rui Moreira | Presidente da CM do Porto anunciou o lançamento de um programa de benefícios fiscais para as empresas tecnológicas se instalarem na cidade. Mais informações aqui.

 

 Álvaro Santos Pereira | Diretor do Departamento de Estudos sobre países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) fez uma análise nua e crua do desenvolvimento (ou estagnação) da economia portuguesa e uma crítica muito fundamentada naquelas que têm sido as decisões políticas de apoio às empresas em especial à indústria. Passou uma mensagem clara de que a reindustrialização nacional é essencial para apoiar o crescimento económico do país. Os apoios para as PME devem existir e servir com o propósito destas ganharem escala. Avançou ainda que a diminuição dos impostos é crucial e que deveria implementar-se um reforma para corrigir a dispersão e refratação das políticas de benefícios fiscais. Deve apostar-se na transparência para captar investimento estrangeiro e para que os empresários sejam motivados a declarar resultados, a capitalizar as suas empresas, em vez da fuga ao “fisco” com custos irreais. Saiba mais.

 

 Ana Lehmann | Professora da Faculdade de Economia da Universidade do Porto salientou que “São as máquinas que vão salvar este país”, argumentando que existe falta de mão de obra para a indústria e que as empresas têm efetivamente que apostar nas tecnologias da indústria 4.0 para fazer frente a essa escassez. Enquanto tal não acontecer será a imigração que irá resolver a falta de mão de obra existente.

 

 Carlos Tavares | Chairman do Banco Montepio assumiu que “os bancos não ajudam as empresas”, que a política de financiamento da banca nacional não está adequada às reais necessidades das empresas e que é preciso inovar nos instrumentos que se criam. Acrescentou, ainda, que as taxas de juro baixas que temos, faz com que se invista e financie projetos com rentabilidades pouco interessantes.

 

 Florbela Lima |EY, direcionou a sua intervenção para os resultados de um estudo sobre a atratividade de Portugal para o investimento direto estrangeiro.

Pela partilha de várias realidades e boas práticas empresariais, o painel seguinte foi de grande interesse sobretudo para o os empresários cujas empresas se encontram em processo de crescimento e melhoria contínua.

Ângelo Ramalho | CEO da Efacec referiu que os equipamentos 4.0 já são fabricados há mais de 20 anos. A verdadeira transformação não está nos equipamentos ou tecnologia, mas sim na gestão de informação e de um novo paradigma de gestão de recursos humanos.

 

 António Martins da Costa|Administrador da EDP mencionou que no sector da produção e distribuição de energia, a revolução tem sido na relação com o consumidor, cada vez mais digital. No entanto, mais próxima, é um fenómeno interessante. Como um sector “enabler” sabem que existem desafios de energia para dar resposta a um novo paradigma de indústria mais intensiva em equipamento, mas também à necessidade de descarbonização e descentralização de processos.

 

 César Araújo | CEO da Calvelex elucidou que na indústria têxtil, a história da indústria 4.0 não passa tanto pela robotização, porque as máquinas e equipamentos utilizados têm evoluído sgnificativamente em termos de desempenho e eficiência, mas sim pela aposta na valorização da marca e das pessoas. Criticou, a política do governo no que toca aos custos fiscais e parafiscais, partilhando que no sector têxtil a atual política não serve o interesse nem dos empresários nem dos colaboradores.

 

 João Serrenho | CEO da CIN referiu que os ciclos de inovação têm sido cada vez mais curtos, o que implica um investimento constante mas também ganhos de eficiência significativos.

 

 José Manuel Fernandes | CEO da Frezite destacou que a robotização e a IoT são uma realidade em curso, que não têm impacto no número de postos de trabalho, mas sim no perfil das pessoas. Partilhou a sua experiência e disse que tiveram de efetuar um esforço de requalificação das pessoas para trabalharem num novo contexto. Este contexto possibilita agora vislumbrar a próxima aposta: utilização da informação existente para apoiar as decisões de gestão e tornar os processos mais ágeis. Desmitificou ainda que a robotização, a automação e a IoT não são processos complexos ou muito onerosos e o investimento pode ser efetuado de forma faseada.

 

 Rui Miguel Nabeiro | CEO da Delta Cafés falou da importância de se trabalhar ao nível da inovação de produtos e do branding, e apresentou a recente aposta na clusterização do sector através do investimento numa marca do país como referência de bom café.

Leia aqui a notícia que resume e destaca as intervenções destes empresários/industriais.

A Fábrica 2030 reuniu cerca de 300 empresários e gestores para conhecer, ouvir e discutir o futuro da indústria portuguesa e as oportunidades inerentes à transformação digital, automatização, robotização, machine learning, inteligência artificial, as oportunidades da indústria 4.0.

Irina Machado
Estratégia e Desenvolvimento