WORK 4.0 – OS NOVOS ROSTOS DO TRABALHO

28 Agosto 2019

WORK 4.0 – OS NOVOS ROSTOS DO TRABALHO

As mudanças proporcionadas pela tecnologia e pelo 4.0 são um fator importante quando falamos em trabalho de futuro. Mas não o único! O já apelidado Work 4.0 representa também uma mudança cultural fundamental que está a contribuir para o aparecimento de novas formas de trabalhar e, também, de liderar.

 

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De acordo com o relatório de 2018 do Fórum Económico Mundial (WEF) “Future of Jobs Report 2018”, que analisou o impacto da automação e da inteligência artificial no mercado de trabalho global, até 2022, os algoritmos e os robots vão substituir muitos humanos no desempenho de muitas tarefas rotineiras. Mas, o uso de robots está longe de ser uma ameaça para o trabalho humano! A colaboração entre a máquina e o homem pode até aumentar a produtividade, libertando trabalhos que são mais repetitivos e menos criativos e, que de forma mais fácil, podem ser executados por máquinas. Olhando para o passado, desde sempre, as invenções e os progressos técnicos extinguiram postos de trabalho, mas também criaram novos, adaptados às necessidades do mercado. A diferença é que actualmente tudo acontece muito mais rapidamente. O último relatório da McKinsey&Company sobre “Automação e futuro do emprego em Portugal datado de janeiro de 2019, refere que 0,7 milhões de trabalhadores (15% da força total de trabalho), terão que alterar as suas ocupações laborais e desenvolver novas capacidades até 2030.

Ainda de acordo com o WEF, em todo o mundo, entre 23% e 37% das empresas, dependendo dos setores, prevê integrar robôs nas suas operações até 2022 e, simultaneamente, levará à criação de novas funções. Poderão surgir cerca de 133 milhões de empregos, mais adaptados à divisão de trabalho entre humanos, máquinas e algoritmos e pelo menos 54% de todos os colaboradores vão precisar de melhorar significativamente as suas competências.

QUE (NOVOS) EMPREGOS PODEM ENTÃO SER MAIS PROCURADOS ATÉ 2022?

• Análise de dados e cientistas: O WEF listou o “Cientista de Dados” como uma das profissões mais relevantes para o mercado até 2022. São eles que transformam alta tecnologia em lucros para as empresas.
• Desenvolvimento de software e aplicações: Os profissionais mais requisitados em tecnologia da informação são os analistas e programadores de sistemas, que trabalham com software e atuam em todas as etapas de um sistema computorizado (levantamento de requisitos, criação e desenvolvimento do projeto, documentar, implementar, testar e fazer a manutenção).
• Comércio eletrónico e redes sociais: Web designers, arquitetos de informação, editores de conteúdos, consultores de e-business, responsáveis de e-Commerce, responsáveis de marketing online, especialistas em SEM (Search Engine Marketing), especialistas em SEO (Search Engine Optimization) e gestores de comunidades e redes sociais, são apenas alguns exemplos dos novos trabalhos decorrentes do crescimento da internet e das redes sociais.
• Apoio ao consumidor, vendas e marketing: Consumidores mais bem informados e com acesso quase ilimitado à diversidade da oferta existente, são consumidores mais exigentes. Por isso, hoje esperam que o produto e o serviço adquirido correspondam integralmente às suas expectativas, tanto no momento da compra como no pós-venda.
• Formação e desenvolvimento de recursos humanos e cultura: As novas competências exigidas aos trabalhadores e as necessidades de upskilling e formação decorrentes da introdução das tecnologias e automação, abrem muitas oportunidades profissionais nas áreas da formação e do desenvolvimento cultural.
• Desenvolvimento organizacional e gestores de inovação: Inovação significa desafio. Identificar e compreender as forças de pressão para a mudança estratégica e organizacional constitui, portanto, o primeiro passo para ficar apto a acompanhar a mudança em curso. A estratégia organizacional e a gestão da inovação são funções de topo necessárias e imprescindíveis em todas as empresas.
• Inteligência artificial, machine learning, big data e automação de processos: A capacidade de análise de grande quantidade de dados, o armazenamento em cloud, a interligação e interação de equipamentos, a monitorização em tempo real, a integração horizontal e vertical de sistemas, a robotização autónoma, o fabrico aditivo (como na impressão 3D), a simulação (reprodução em modelo virtual do mundo físico que permite optimizar e testar equipamentos) e a realidade aumentada (para digitalização de serviços e interacção virtual com equipamentos), abrem caminho a um número incontável de novos empregos.
• Especialização em segurança e informação e blockchain: A envolver todo o sistema nervoso que suporta a indústria e economia do futuro, está a cibersegurança (responder ao amento de necessidade de protecção de sistemas e linhas de fabrico e acesso à gestão de equipamentos).
• Design de interacção homem-máquina: A automação é uma das maiores consequências da nova revolução industrial. As horas dedicadas por máquinas às tarefas de trabalho, irá aproximar-se até 2022 às horas dedicadas pelos humanos. A interacção entre estes dois agentes do trabalho será determinante para o sucesso da transformação em curso. O desenvolvimento de sistemas de interacção homem-máquina é uma das maiores oportunidades no mercado de trabalho.
• Engenharia robótica: o uso da robótica na realização de actividades cada vez mais sofisticadas, ágeis, abrangentes e qualificadas abrem imensas oportunidades para os profissionais de design, desenvolvimento, operação e programação de robots.

DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA AS PESSOAS E ORGANIZAÇÕES

Do debate lançado pela COTEC em 2018 acerca da aliança homem-máquina e o trabalho do futuro no âmbito da conferência “Work 4.0 – Rethinking the Human-Technology Alliance”, emergiram algumas diretrizes para a adaptação ao trabalho que aí vem:

• Qualificar e requalificar ao longo da carreira, antecipando necessidades de habilidades e tornando os trabalhadores digitalmente experientes.
• Desenvolver habilidades exclusivamente humanas, como a curiosidade, a criatividade, a empatia e a colaboração.
• Fortalecer a capacidade de autonomia, para um maior sentido de colaboração, proatividade e responsabilidade.
• Adotar contratos de trabalhos mais flexíveis, como freelancer e part-time e facilitar a transição de um contrato para outro.
• Realizar mais trabalhos baseados em projetos, com menos regras fixas, mais tolerância para assumir riscos e mais trabalho em equipa.
• Pensar por antecipação, planear sem medo de testar novas formas de gerir e liderar.
• Ser mais ágil no planeamento estratégico e financeiro, para acomodar a flexibilidade exigida pelo trabalho 4.0.
• Promover a flexibilidade das organizações, evoluindo-se para o trabalho autónomo que recompensa as pessoas pelos resultados e não pelas horas gastas no posto de trabalho.
• Delinear metas organizacionais que vão além do lucro, para incluir a responsabilidade social, ambiental e o desenvolvimento de uma cultura de bem-estar.

Assim, os trabalhadores do futuro terão que ter competências cada vez mais específicas, tanto ao nível das Hard Skills (Competências digitais, TIC, manuseamento de máquinas ao nível da robótica e automação, inteligência sustentável e conhecimento específico), como quanto às Soft Skills (pensamento crítico, inteligência social, colaboração, compreensão do mercado, competências cognitivas e flexibilidade). A 4ª Revolução Industrial irá permitir aprender e ensinar novas competências, criar novos empregos que exigem combinações únicas de habilidades e competências que hoje não existem, explorar talentos desconhecidos e, ao fazê-lo, expandir os negócios e criar uma nova geração de recursos altamente qualificados nas mais diversas áreas.

 

Cláudia Martins
Gestão de Projetos