PORTUGAL: A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

31 Janeiro 2019

PORTUGAL: A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL

A estratégia da União Europeia (EU) para a indústria, adoptada em abril de 2016, visa reforçar a competitividade nas tecnologias digitais e garantir que qualquer indústria independente da dimensão, local e/ou sector, possa beneficiar das inovações digitais. De modo a avaliar a evolução dos estados-membros, a Comissão Europeia publicou o “Digital Transformation Scoreboard  2018” que apresenta os progressos alcançados no âmbito da transformação digital.

A transformação digital dos estados-membros é avaliada através da evolução do Digital Transformation Enablers’ Index (DTEI) que engloba os indicadores sobre a posição de infra-estruturas digitais, o investimento e acesso a financiamento e a procura e oferta de competências digitais (com um peso de 20%, 30% e 30% do DTEI), por outro lado factores como a e-liderança e cultura empreendedora assumem uma menor ponderação no DTEI (10% cada).

 

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O outro indicador representado é o Digital Technology Integration Index (DTII) que considera na sua fórmula apenas factores individuais medidos a nível nacional, e supõe que reflecte a mudança da transformação digital das empresas europeias.

No que respeita aos valores dos índices, a nível do DTEI Portugal está abaixo da média da UE, enquanto na DTII está 5,6% acima da média dos valores europeus, ambos os índices são liderados por países nórdicos e da europa do norte.                                                                                    portugal transformação digital

Valores de Portugal e Média UE de DTEI e DTII, em 2018
Fonte: Digital Transformation Scoreboard 2018

Numa reflexão mais específica do caso português, por indicador, o que apresenta melhor performance é a cultura empreendedora, pois coloca o nosso país em segundo lugar do ranking da UE com 96% (2018) face aos 71% registados no ano anterior. Nas infra-estruturas digitais regista uma variação positiva de 63% para 66%, colocando a realidade nacional acima da média da UE (28 países) com 49%, estando com um posicionamento favorável nesta vertente.

Por outro lado, os obstáctulos nacionais são no indicador da procura e oferta de competências digitais passou de 14% (2017) para 34% (2018), e o investimento e acesso a financiamento tem crescido de 26% (2017) para 40% (2018) mas com valores abaixo da média da UE (28 países). E o pior indicador e-liderança que apesar do aumento percentual de 38% (2017) para 47% (2018) posiciona Portugal no sexto lugar a contar do fim.

É evidente a melhoria dos indicadores portugueses mas os valores ainda estão aquém das expectativas comparando com a média dos estados-membros ainda há um caminho a percorrer. O desafio português no âmbito da transformação digital para os próximos anos deve ser com foco na área do investimento e financiamento para a transformação digital e na promoção da e-liderança.

Os dados reflectem a realidade nacional, é certo que nos tempos de hoje as empresas ainda enfrentam dificuldades para obter financiamento bancário, e o investimento privado é escasso. Os esforços para o melhoramento das competências de e-liderança devem centrar-se na capacidade de desenvolver habilidades de liderança em recursos humanos qualificados na área da digitalização.

 

Bruna Parente
Estratégia & Desenvolvimento