INOVAÇÃO E FINANCIAMENTO… “UMA PESCADINHA DE RABO NA BOCA”

26 Abril 2018

INOVAÇÃO E FINANCIAMENTO… “UMA PESCADINHA DE RABO NA BOCA”

INSTRUMENTOS DE APOIO À CAPITALIZAÇÃO DAS EMPRESAS

 

Financiamento? Este é o principal entrave do desenvolvimento das nossas empresas! Já perdemos a conta de quantos seminários, notícias, livros e políticos se debruçam sobre a temática. Identificam-se os problemas e conjeturam-se hipotéticas soluções através de um qualquer exercício de benchmarking.

 

Inovação? Este é o caminho selecionado por Portugal e pela UE para aumentar o valor gerado e garantir a sustentabilidade económica no longo prazo. Pedimos às nossas empresas que sejam o motor da inovação, que invistam em I&DT e em pessoas qualificadas… Pedimos às nossas universidade que se aproximem do tecido empresarial e coloquem no mercado o conhecimento e tecnologia gerado dentro de portas. Apresentamos e estudamos profundamente os ecossistemas de sociedades inovadoras e queremos o Silicon Valley no quintal lusitano.

 

Parecem dois parágrafos independentes? Mas não são!

Inovação e Financiamento são um bom exemplo da chamada “Pescadinha de rabo na boca”.

pescada-rabo-boca

A primeira não vive sem a segunda… e a segunda pode ser mesmo a razão do “morrer na praia” de muito boas ideias.
Boas ideias… pois “De boas ideias, estão os bancos cheios”.
Chateia… mas a verdade é que a banca não é a solução para financiar a inovação. Primeiro porque a natureza da inovação incorpora sempre algum risco, e segundo grande parte dos promotores não satisfazem os requisitos do crédito mútuo, nomeadamente no que toca à prestação de garantias ou mesmo autonomia financeira (no caso de empresas já existentes).

 

Deixando a sabedoria popular de lado, podemos afirmar que vivemos um paradoxo em Portugal, onde precisamos de um tecido empresarial mais inovador, mas onde as soluções de financiamento são escassas e, muitas vezes, desajustadas àquelas que são as necessidades de financiamento dos projetos inovadores, ou seja, com risco.

 

Como consultores de inovação e financiamento de projetos, deparamo-nos numa base quase diária com a problemática do financiamento, somos persistentes e incansáveis na seleção das melhores fontes de financiamento e na sua negociação. Mas a verdade é que até os consultores começam a sentir dificuldade criativa (difícil… mas acontece) na determinação de um mix de financiamento que sustente os projetos. Tanto que, infelizmente, temos muitas vezes de informar os nossos clientes que, face às dificuldades de enquadramento, não é possível apoiá-los, aquilo a que eu chamo de conversa quadrada:

“ Caro promotor, o seu projeto não é quadrado, pois não tem enquadramento nos quadrados dos programas de financiamento disponíveis no quadro nacional”.

Deixando agora a ironia de lado, confesso que identifiquei uma pequena luz ao fundo do túnel, quando conheci as medidas de Fundo de Capital e Quase Capital (FC&QC) da IFD (Instituição Financeira de Desenvolvimento) que se traduzem em três linhas financiamento:

 

Linha de Financiamento a Entidades Veículo de Business Angels: destinam-se a projetos e empresas com elevadas perspetivas de crescimento e rentabilidade, por via de entidades de Veículo de Business Angels (BA) que visam o reforço dos capitais próprios das pequenas empresas, em fase de arranque e do empreendedorismo.

Linha de Financiamento Fundos de Capital de Risco: financiamento em forma de capital para criação de empresas em fase de arranque e reforço da capacitação empresarial das PME, para o desenvolvimento de novos produtos e serviços; Projetos inovadores ao nível de processos, produtos, organização ou marketing.

Linha de Financiamento Fundo 200M: financiamento de risco para projetos em fase inicial para suportar um plano de atividades elaborado, com vista a entrar num novo mercado de produto ou num novo mercado geográfico, desde que seja superior a 50 % do seu volume de negócios médio anual nos cinco anos anteriores.

Para além destas,  existe uma outra novidade que está em fase de regulamentação: Operações de Capital Reversível.

 

Estas têm como foco as PME economicamente viáveis, mas que se encontram descapitalizadas. Este produto permite capitalizar as empresas, aumentar os seus rácios de autonomia financeira, melhorar os níveis de qualidade de informação e o perfil de gestão e governance das PME.

 

As Operações de Capital Reversível consistem em investimentos nas empresas como capital, no entanto essa posição pode ser revertida a médio e longo prazo com a transformação dessas participações em empréstimos a médio e longo prazo, quando atingidos os objetivos de negócios e a capitalização inicialmente estabelecidos.

 

Caso para dizer que esperamos que esta Inovação chegue ao mercado rapidamente.

 

Irina Machado
Estratégia & Desenvolvimento
irina.machado@multisector.pt